LDL Labs: Onde as Empresas Hospedam o E-mail e Quem Bloqueia Golpes

LDL Labs cruzou o provedor de e-mail de 7501 empresas com SPF e DMARC: no Google Workspace, só 8,4% bloqueiam e-mail falsificado.

Onde as empresas brasileiras hospedam o próprio e-mail, e o serviço escolhido faz diferença na proteção contra falsificação? Nesta edição do LDL Labs, identificamos o provedor de e-mail de 7501 empresas pelos registros públicos de DNS e cruzamos com a configuração de SPF e DMARC de cada domínio.

O resultado mostra que o provedor não resolve a segurança sozinho. O Google Workspace é o serviço mais usado, e também o grupo em que menos empresas bloqueiam e-mails falsificados: só 8,4%. Em provedores como Locaweb e Hostinger, quase todos os domínios têm DMARC, mas menos de 2% usam a política que efetivamente bloqueia.

Participação de cada provedor

Provedor de e-mailBrasilSulDemais estados
Google Workspace21,3%21,5%21,0%
Outros provedores20,7%21,7%19,6%
Servidor próprio19,8%21,9%17,6%
Microsoft 36511,7%9,7%13,6%
Locaweb11,4%9,1%13,7%
Hostinger5,2%5,4%4,9%
KingHost3,4%4,1%2,7%
Zoho3,4%3,3%3,5%
Titan3,1%3,1%3,0%

"Servidor próprio" são domínios cujo servidor de e-mail fica no mesmo domínio da empresa; "outros provedores" reúne dezenas de hospedagens menores.

Proteção contra falsificação por provedor

ProvedorEmpresasSem SPFSem DMARCDMARC que bloqueiaMargem de erro
Google Workspace159428,1%64,8%8,4%±2,5 p.p.
Microsoft 3658743,1%46,1%21,1%±3,3 p.p.
Locaweb8532,8%12,8%1,5%±3,4 p.p.
Hostinger3872,3%6,2%1,6%±5,0 p.p.
KingHost2567,0%78,9%3,9%±6,1 p.p.
Zoho25513,3%67,5%9,8%±6,1 p.p.
Titan2300,0%81,7%5,7%±6,5 p.p.
Servidor próprio14822,5%55,0%18,7%±2,5 p.p.
Outros provedores15505,8%58,1%21,5%±2,5 p.p.

O que os números mostram

  • Google Workspace: 28,1% dos domínios não têm nem SPF e 64,8% não têm DMARC. O serviço funciona sem esses registros, então muita empresa ativa o e-mail e nunca completa a configuração de autenticação.
  • Locaweb e Hostinger: quase todos os domínios têm DMARC, mas praticamente todos em modo de monitoramento (p=none). O padrão é compatível com registros criados automaticamente pela hospedagem: o DMARC existe, mas não bloqueia nada.
  • Microsoft 365, servidor próprio e outros provedores: cerca de 1 em cada 5 empresas bloqueia falsificação, o melhor resultado da pesquisa, e ainda assim uma minoria.
  • Titan e KingHost: mais de três quartos dos domínios não têm DMARC.

O DMARC é configuração do dono do domínio, não do provedor. Nenhum dos serviços da tabela impede a empresa de publicar uma política de bloqueio; o que muda é o quanto cada um orienta ou automatiza isso.

O que fazer, qualquer que seja o provedor

  • Publique o SPF indicado pelo provedor e ative o DKIM no painel de administração.
  • Crie o DMARC em p=none, acompanhe os relatórios por algumas semanas para corrigir envios legítimos (sistemas de nota fiscal, CRM, marketing) e depois suba para p=quarantine e p=reject.
  • Confira a situação do seu domínio no teste de segurança gratuito e veja o passo a passo em SPF, DKIM e DMARC.

Metodologia

  • Base: dados abertos do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica publicados pela Receita Federal (setembro de 2026), mesma base da primeira edição do LDL Labs: 5 milhões de matrizes ativas, das quais extraímos 234 mil domínios corporativos (sem Gmail, Hotmail e similares, e sem domínios compartilhados por mais de três empresas).
  • Amostra: 9 mil domínios sorteados, metade de empresas do Sul (RS, SC e PR) e metade dos demais estados.
  • Coleta: consulta pública a registros de DNS em 15 de setembro de 2026. Nenhum servidor das empresas foi acessado.
  • Privacidade: nenhum e-mail foi armazenado, a lista de domínios foi apagada ao final e nenhuma empresa é identificada.
  • Provedor: identificado pelo servidor de e-mail (registro MX) de cada domínio. Foram considerados 7501 domínios existentes que recebem e-mail.
  • Critérios: "DMARC que bloqueia" significa política p=quarantine ou p=reject. Provedores com menos de 150 empresas na amostra não aparecem na tabela de proteção.
  • Limitações: empresas podem usar um provedor para receber e outro para enviar; a identificação pelo MX reflete quem recebe o e-mail. Os resultados descrevem a configuração das empresas clientes, não a qualidade técnica de cada provedor.

Jornalistas e pesquisadores podem citar os dados como "LDL Labs, LDL Security (setembro de 2026)".

Perguntas Frequentes

Qual é o provedor de e-mail mais usado pelas empresas brasileiras?

Na amostra do LDL Labs, o Google Workspace, com 21,3% das empresas com domínio próprio, seguido por servidores próprios, Microsoft 365 e Locaweb.

Usar Google Workspace ou Microsoft 365 já protege contra e-mail falsificado?

Não. A proteção contra falsificação depende de SPF, DKIM e DMARC configurados pela própria empresa. A maioria dos clientes desses serviços não publica uma política DMARC de bloqueio.

O que significa DMARC p=none?

É o modo de monitoramento: o dono do domínio recebe relatórios, mas não pede aos provedores que bloqueiem mensagens falsificadas. Serve como etapa inicial, não como proteção.

Como descobrir o provedor de e-mail de um domínio?

Pelo registro MX do domínio, que indica para qual servidor as mensagens são entregues. O teste de segurança gratuito da LDL Security mostra essa informação junto com SPF e DMARC.